A imagem hipersexualizada das mulheres brasileiras é mais que um tema, é uma obsessão. Porque esse assunto incomoda. Sendo brasileira, não consigo me identificar em nenhum dos clichês que sempre tentam colar na dita mulher brasileira. Porque vejo - e sei - que as formas femininas são várias, tantas e tão variadas quanto é grande o país e rica a sua formação etno-cultural. Sendo brasileira, vejo em minhas amigas tipos diferentes de beleza e belezas que vão além da forma física. Sei que muito mais que um corpo, muitas (tantas) querem é ter uma cabeça em forma, um intelecto bem exercitado. Sendo brasileira, sei que muitos (tantos) brasileiros, homens, também são femininos. Não que isso tenha relação com preferências sexuais, mas sim com a similaridade de enquadramentos que ambos - mulheres e homens - sofrem dentro da sociedade brasileira. Nela, tanto nós quanto eles, devemos ser, fazer, falar e agir dentro de regras e preceitos que aniquilam qualquer expressão da individualidade.  
O ensaio Feminino Brasileiro é uma síntese dessa discussão. Um prefácio, melhor dizendo. Nele, 17 brasileiras e brasileiros, modelos não-profissionais, foram fotografados sem retoques, livres para serem ela(e)s mesma(o)s, instigados a exibirem à câmera seus ideais de beleza. Uma beleza que não tem relação necessária com a sexualidade, ao contrário do que o senso comum nacional costuma afirmar.
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